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Blog de uacosta


PERTURBAÇÕES

Me apego de fazer traquinagens,

Andar por aí ao sabor do vento,

Pisar em chão verde, pecado mortal,

Como dia desses será, nadar no rio ou no mar.

 

Me ressinto dos transgressores,

Por onde será que andam?

Sábios seres que se inquietam,

Diante de ditames insanos.

 

(Desta gente que segue sem saber o que,

Apenas segue dado que lhe é dito:

Siga!)

 

Me inquieta a tal certeza perene,

Que bate na mesa e decreta o certo e o errado,

Que referencial te guias neste teu pensar?

Quem o senhor que teu olhar vigia?

 

Quem este senhor que nos poda?

De que serve esta certeza loquaz?

A mim caminho de dúvidas,

Neste ver de chão que percorre o caminho que faço.

 

Frutos que busco nesta sementeira,

Pensares, perguntas, ações,

Perturbações que inquietam vida,

Perturbações que pressentem vida.

 



Escrito por ualace às 13h55
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LIMITADO

Ando limitado.
Por todos os lados,
Por todos os flancos e arestas.
Se me olho no espelho,
Não me vejo!
A imagem que nele reflete,
É o simples...não sou!

Ouço uma música que não ecoa,
Não repercute, não discute!
Uma música blindada pelo...
Sei lá o quê!
E por que teria que saber?
É uma música singular,
Não se pretende,
Não se afirma,
Uma música que...não soa!

Livros, filmes, revistas,
Profanos, insanos, macabros,
Largados ao largo
Uma terra árida, infértil,
Semente, pungente, demente,
Indecente, que filme é este?
O filme do eu sozinho.
Limitado, isolado,
No meio invisível de uma multidão
Insensível.



Escrito por ualace às 22h14
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SAUDADE

Há uma saudade silenciada no ar,
eu vejo o seu açoite logo ali,
lentamente se aproxima,
encontrando o corpo meu.

Há um brejo, há uma cruz,
um caminho feito de trevas,
(e quem disse que nas trevas não há luz?)
há um beijo solto no ar.

ele busca um caminho,
busca um destino,
e o beijo se perde no ar,
não há destino, amor não há.

carinho também não há,
a sedução deixou seu ninho,
e esta saudade que fica,
me poda devagarinho.



Escrito por ualace às 22h40
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A FALTA QUE FAZ

e você não sabe a falta que faz...
água de coco a dois,
o pôr do sol embriagando nós dois,
é! você não sabe a falta que faz!

luar de janeiro, de abril ou dezembro,
a brisa do mar,
um olhar, um veleiro,
que falta me faz a sua poesia.

ouvir a bethânia,
sinatra, chopin!
dois copos, um brinde,
dois corpos, nós dois!

que falta que faz,
eu e você,
num baile ao luar,
champagne, caviar!

êta falta danada!



Escrito por ualace às 20h37
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delírio

brilha o luar,

brilha o solar,

brilha, brilha, brilha!

a música que há em ti,

é o que me faz  delirar.



Escrito por ualace às 11h47
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faz de mim

faz de mim um forte,

faz de mim um cálice,

faz em mim o que faz,

o sol que irradia o dia.



Escrito por ualace às 11h44
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companhia

quando a noite se esvazia,

trazendo o dia,

brilha a minha alegria,

dou vivas à poesia,

pois que se chega o dia,

de estar. em sua companhia.



Escrito por ualace às 11h41
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sentidos

foi numa bela tarde - noite,

quando te vi e acalentei,

despi teus sonhos,

nos meus desnudos,

brinquei em ti,

corri pra ti.

fiz em ti meu céu,

desejos insanos,

em sonhos profanos,

saboreei teu fel,

inundado de prazer.



Escrito por ualace às 11h36
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sexta feira

 E que venha a sexta feira!

Mas que não me venha sozinha,

Que me traga cerveja, torresmos,

Que me traga o samba e mulher bonita!

 

Que me traga o sol

Impávido e imponente,

O mar da barra ou da costa azul,

O peixe frito e aquela moelinha!!!

 

Oxalá! Amanhã é sexta-feira!

Deixe dormir as dietas,

Deixe silenciosa a enxaqueca.

E sigamos sorrindo de bar em bar!

 

Vamos exagerar,

Nos despir da prudência,

Vamos rasgar o verbo

E gritar em bom som que já chegou a sexta feira!



Escrito por ualace às 16h37
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AMO-TE

amo-te profundo e denso,
tenso! intenso!
amo-te como a lua,
crua!

com a força precisa e necessária,
com o encontro do meu e do seu olhar,
amo-te verdadeiramente,
em corpo, em forma, em mente.

Amo a tua presença,
Amo-te quase como crença,
Como a criança, que insistente,
Não desiste do bolo que é um beijo seu.

Ualace Amado da Costa
Miguel Cardoso Amado da Costa



Escrito por ualace às 11h08
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O POETA

O poeta é cantar saudade,
Uma saudade diferente,
Na essência de ser saudade,
Na angústia de ser verdade.

O poeta, este ser estranho,
Magnânimo na astúcia de ser,
Forte, viril, na delicadeza da palavra,
Êxtase, metástase, poeta!

Divino, castro, puro, duro.
Seco, sarcástico, irônico, vil,
Assimétrico, profético, gentil,
O poeta, em sua brincadeira de arte.

Atira-se ao lixo,
Afoga-se,
Desafia-se,
Desfia-se!

Este cara,
Alma rara,
Inconstante na inconstância de ser,
Na doce presença de ler.



Escrito por ualace às 06h37
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DEMÊNCIAS

Anarquizo desejos insanos,
Dedos profanos,
Busco insaciável seu corpo,
Mergulho profundo em seu céu.

Divirto-me buscando seu mel,
Escondo de ti malícias,
Ofereço a ti as delícias,
Cubro em ti meu mel.

Solto no ar palavras,
Crases, pontos, reticências,
Olhares amenos em cenas graves,
Posto em teu colo, a minha demência.



Escrito por ualace às 00h54
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O QUE SOMOS?

Somos a essência,
O essencial do ser,
A alma que se deixou perceber,
A calma que se fez perder.

Somos tudo e muito mais,
Somos guerra e paz,
A contradição do encontro,
A desilusão do encanto.

Mar revolto,
Cais sem porto,
Somos o breu,
Penumbra e luz.

Somos o êxtase,
O gozo profundo,
Somos a besta,
Somos a sexta.

Somos e isto basta,
Não ser é o que afasta,
Somos o nada
Nesta imensa poeira cósmica



Escrito por ualace às 00h16
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SAUDADE

Bate em meu peito a saudade,

Em sua triste cantiga,

À luz do luar,

Resiste meu peito, por pura maldade.

 

Saudade do nada,

Do vago, do etéreo,

Saudade de um tempo,

Distante, constante.

 

Saudade frenética,

Hermética e, por que não, patética.

Ah! Doce ilusão,

Por que não me traz o seu coração?

 



Escrito por ualace às 12h25
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CARTA À BEAUVOIR

Penso que resisto!
Ao anacronismo idiota que se impõe,
Ao cotidiano banal de nossas rotinas,
À insana falta do que falar que se vê.

Penso que insisto!
Em crer que o querer me basta,
Em ser aquilo que não cabe à minha realidade
Bestial realidade!

Penso que em casa fujo,
Regozijando o prazer que cria em mim,
O filho que um dia eu quis ter,
O amor que um dia era só projeto!

Penso que sou projétil,
Penso que sou não fértil,
Que minhas idéias sepulcram,
Penso por fim, que não penso!

Penso que bato as portas do céu,
Subindo pelas suas escadarias,
Num domingo talvez sangrento, quem sabe?!
Para no fim, concluir... que penso!

No mais, me resta o amor!


Escrito por ualace às 22h11
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